<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664</id><updated>2011-07-30T18:40:24.907-07:00</updated><title type='text'>Indireta</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>29</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-5713836435504768032</id><published>2010-07-21T11:11:00.000-07:00</published><updated>2010-07-21T11:11:12.513-07:00</updated><title type='text'>.Toda sabedoria de Mário Quintana.</title><content type='html'>BORBOLETAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande. As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as delas. Temos que nos bastar... nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém. As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida. Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você. O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário Quintana&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-5713836435504768032?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/5713836435504768032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=5713836435504768032' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/5713836435504768032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/5713836435504768032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2010/07/toda-sabedoria-de-mario-quintana.html' title='.Toda sabedoria de Mário Quintana.'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-7134243808305211579</id><published>2010-07-14T22:02:00.001-07:00</published><updated>2010-07-14T22:05:03.128-07:00</updated><title type='text'>.Acordo atemporal.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/TD6WYYCxgtI/AAAAAAAAAFM/4IUuvizbKyU/s1600/prefiro_toddy_ao_tedio.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 268px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/TD6WYYCxgtI/AAAAAAAAAFM/4IUuvizbKyU/s320/prefiro_toddy_ao_tedio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493993940953694930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"(...)muito obrigado pela frase feita..."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-7134243808305211579?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/7134243808305211579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=7134243808305211579' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/7134243808305211579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/7134243808305211579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2010/07/blog-post.html' title='.Acordo atemporal.'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/TD6WYYCxgtI/AAAAAAAAAFM/4IUuvizbKyU/s72-c/prefiro_toddy_ao_tedio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-357288289477375308</id><published>2009-09-30T13:48:00.000-07:00</published><updated>2009-09-30T13:54:29.646-07:00</updated><title type='text'>.Será.</title><content type='html'>Eu respondi “sei lá...”. Seria tão bem-sucedido o caso de uma noite só. One night only, babe. Com direito a ressaca, arranhões e substâncias coloridas. Não lembrava o nome, sabe? Não sei a que horas cheguei aqui também... Mas não sei o que é culpa. E é impressionante o poder que tenho de me desapaixonar. Eu acho o máximo a superfície, mas se me aprofundo o mínimo além do meu máximo, basta. Volto pro começo, mas como é um começo que eu já conheço, tudo perde a graça... E é difícil ser novidade todo dia, não é mesmo? Hoje tá chovendo. Pois é. Frio pra uma noite carioca. Fugi desse quadrado cheio de gente séria para fumar um cigarro. Senti o arrepio começando pela orelha. O ouvido doeu. O fígado, já na fuga, estava nessa condição. Tudo é dor. E tudo é delírio. Será que ela lembra do que comeu ontem? Talvez. É, talvez...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-357288289477375308?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/357288289477375308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=357288289477375308' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/357288289477375308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/357288289477375308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2009/09/sera.html' title='.Será.'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-1597771969785116127</id><published>2009-09-25T09:25:00.000-07:00</published><updated>2009-09-25T10:04:33.657-07:00</updated><title type='text'>.Desculpas por ontem.</title><content type='html'>Fome. Hoje eu vomitei três vezes. Depois, olhei pra bem dentro de mim mesma e, diante do espelho, me julguei com o dedo em riste. Não disse basta, mas sabia que deveria dizer. Meu sorriso grande da noite passada ficou por lá mesmo. E é sempre assim. Tento lembrar quantas vezes chamei o garçom naquela mesa do canto e pedi “mais uma por favor”. Impossível. Fome. Cresce enquanto escrevo. É que eu não aprendi ainda a não fazer aquilo que não quero. Na verdade, esse aquilo que não quero é o que eu gostaria de fazer sem me culpar. Mas, no dia seguinte, ficam as dores, as marcas, as lembranças, os esquecimentos e alguma vontade. Só sei que num determinado momento alguém perguntou o meu nome e eu não sabia mais... Houve também uma conversa sobre pianos, pianistas, alpinistas e gracilianos. Você fez alguns elogios baratos e eu, suscetível, embriagada, com o coração na cabeça, simplesmente sorri. Aquele de consentimento. De “ok, já ouvi isso antes e sei muito bem no que vai dar...”. De fato. Depois disso, ficamos íntimos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-1597771969785116127?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/1597771969785116127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=1597771969785116127' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/1597771969785116127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/1597771969785116127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2009/09/desculpas-por-ontem.html' title='.Desculpas por ontem.'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-2823258776167766822</id><published>2009-09-24T07:56:00.000-07:00</published><updated>2009-09-24T07:59:57.707-07:00</updated><title type='text'>Para onde ele vai à noite?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruItdLDjWI/AAAAAAAAAEY/y_kKuNbUdBE/s1600-h/FEB9FF_fullsize.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruItdLDjWI/AAAAAAAAAEY/y_kKuNbUdBE/s320/FEB9FF_fullsize.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385048093958049122" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.taramcpherson.com/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-2823258776167766822?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/2823258776167766822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=2823258776167766822' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/2823258776167766822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/2823258776167766822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2009/09/blog-post.html' title='Para onde ele vai à noite?'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruItdLDjWI/AAAAAAAAAEY/y_kKuNbUdBE/s72-c/FEB9FF_fullsize.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-768594996797354934</id><published>2009-08-18T09:21:00.000-07:00</published><updated>2009-08-18T09:22:33.634-07:00</updated><title type='text'>Entendimento das coisas.</title><content type='html'>Na noite passada, sonhei que andava pelas ruas tateando as paredes e pedindo que alguém limpasse meus óculos. Assim que acordei, sorri um daqueles sorrisos que você nunca gostou - porque julgava que era um deboche puro e gratuito, e disse qualquer coisa a mim mesma. Entendi imediatamente o sentido daquele sonho. Você sempre limpava meus óculos pela manhã. Sim, é verdade.  E eu sempre escrevia sobre coisas simples antes de você. Depois, deixei o tec-tec do teclado de lado e guardei tudo demais.  &lt;br /&gt;Agora estou aqui no quarto pequeno, branco. Lá fora, o zumbido da TV ligada só porque assim tem que estar me acompanha, assim como o cheiro de cigarro que está em todo lugar. Minha caixa de bombons está vazia, mas não quero procurar um supermercado às 3 da manhã só para comprar chocolate. &lt;br /&gt;É tudo tão hábito, não é mesmo? Um dia você chegou na sala e disse “Nádia, vou embora. Você não percebe que não te faço mais feliz? Que não nos damos mais bem?!”. Eu balancei a cabeça, concordando. Você se agachou, segurou uma mala marrom, na mão esquerda, algo ainda brilhava, assim como teu rosto nervoso. Você deixou recomendações sobre os cachorros e foi embora sem dizer tchau. Murmurou qualquer coisa descendo as escadas e bateu a porta como de costume.&lt;br /&gt;Eu pensei “será que eu cozinho assim tão mal?!”. E como quase sempre, eu mesma respondi “não, ele não está indo embora por causa disso...”. Depois, pouco tempo depois, percebi que as minhas músicas lentas, doces e tristes nunca te agradaram. Agora estou aqui. Escolhi uma trilha sonora, juntei palavras sinceras e, em poucos parágrafos também me despeço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-768594996797354934?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/768594996797354934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=768594996797354934' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/768594996797354934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/768594996797354934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2009/08/entendimento-das-coisas.html' title='Entendimento das coisas.'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-1128163195476164863</id><published>2008-04-19T23:39:00.000-07:00</published><updated>2008-04-19T23:44:45.059-07:00</updated><title type='text'>Carta de recomendações</title><content type='html'>Quando você tiver à beira de um ataque de nervos, bêbado, enlouquecido por qualquer coisa, qualquer música, qualquer pessoa, querendo atirar alguém do alto de algum terraço, cuja vista seja cenário de uma morte bela e inesquecível e premeditada e uma morte de algum amor, um tipo de amor que não foi; quando a embriaguez excessiva te prejudicar a ponto de aquilo tudo que queria dizer se apresentar com outra cor (não em tom pastel, mas num vermelho sangue); quando você pedir mais uma dose em plena terça-feira chuvosa e “mais e mais, por favor!”; quando o teu desespero ultrapassar as barreiras da sanidade; quando a caminhada na areia de praia às três da manhã não for mais, não vá!; quando você disser aquilo que não sente só por vontade de dizê-lo a alguém; quando você não tiver mais tempo para me ver; quando as telas de cinema se desmancharem e as vozes de seus personagens se confundirem; quando as ruínas do tempo começarem; não vá, quando o encontro não der certo; quando a camisinha estourar; quando você sentir frio, medo, fome, desejo, loucura e quando isso tudo não passar; quando nenhuma música te eriçar os pêlos do corpo; quando não houver aquela vontade de receber qualquer carinho ou afeto; quando o sorriso do alvorecer não conter luz alguma ao teu olhar; quando o descrédito dos teus amigos; quando o bolso, a  barriga, o coração estiverem vazios; quando a TV, a água, o gás, os pulsos forem cortados; quando, quando; quando, em nenhuma língua estrangeira, brasileira, quando não houver voz; quando a rouquidão, a solidão, a confusão, o tesão te embaraçarem a cabeça de tal modo, vá de encontro. Mas vá!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-1128163195476164863?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/1128163195476164863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=1128163195476164863' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/1128163195476164863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/1128163195476164863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2008/04/carta-de-recomendaes.html' title='Carta de recomendações'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-3868803849990109613</id><published>2008-02-28T16:33:00.000-08:00</published><updated>2008-02-28T16:38:40.191-08:00</updated><title type='text'>Todo carnaval</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/R8dT2OqhSEI/AAAAAAAAAB4/hsHwlGoCOxo/s1600-h/Imagem+054.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/R8dT2OqhSEI/AAAAAAAAAB4/hsHwlGoCOxo/s320/Imagem+054.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172194888172783682" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-3868803849990109613?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/3868803849990109613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=3868803849990109613' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/3868803849990109613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/3868803849990109613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2008/02/todo-carnaval.html' title='Todo carnaval'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/R8dT2OqhSEI/AAAAAAAAAB4/hsHwlGoCOxo/s72-c/Imagem+054.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-622840108792027399</id><published>2008-02-25T19:37:00.001-08:00</published><updated>2008-02-25T20:30:16.944-08:00</updated><title type='text'>Crônica de uma infância caduca</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/R8OJjuqhSDI/AAAAAAAAABw/wwEIUmvzfic/s1600-h/vivipds.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/R8OJjuqhSDI/AAAAAAAAABw/wwEIUmvzfic/s320/vivipds.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171128044066261042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para meu avô, Francelino (in memoriam)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias estavam quentes. As férias se arrastavam. Brincar de elástico, rodar bambolê. Verão. A moleza no corpo depois do almoço cedia lugar à agitação advinda da compra de picolés “de sobremesa”. De frutas. Doces e tropicais como nunca. E sempre repetidos.&lt;br /&gt;E eu era menina-moleque de shorts vermelhos e sem camisa. Nenhuma malícia. Corria entre meninos, subia na mangueira para fazer pose para as fotografias, comia batom da mamãe no banheiro (mas também com aquele sabor de chocolate...).&lt;br /&gt;Foi quando, num domingo qualquer, no começo da manhã, avistei ao longe fruta que não conhecia. E eram muitas. E de um vermelho vivo e vistoso. Vermelhas, pequenas, delicadas, eram suas condições.&lt;br /&gt;A menina curiosa, cabelos dourados e curtos, macios como a clara do suspiro de limão que a vovó preparava. A sobrancelha num movimento brusco de curiosidade aguçada subia e descia, subia e descia, e subia. A menina curiosa, dedos queimados pela cruel lagarta verde musgo do pé de banana, quis saber se eram de brinquedo. Vovô respondeu que eram tomates para crianças.  E nunca mais se viu tomates naquela terra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-622840108792027399?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/622840108792027399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=622840108792027399' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/622840108792027399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/622840108792027399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2008/02/crnica-de-uma-infncia-caduca.html' title='Crônica de uma infância caduca'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/R8OJjuqhSDI/AAAAAAAAABw/wwEIUmvzfic/s72-c/vivipds.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-5444279262426925512</id><published>2008-02-15T18:26:00.000-08:00</published><updated>2008-02-15T18:33:16.651-08:00</updated><title type='text'>Poema-canção</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/R7ZK3eqhSCI/AAAAAAAAABo/S2vYPbp84vw/s1600-h/000_1228.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/R7ZK3eqhSCI/AAAAAAAAABo/S2vYPbp84vw/s320/000_1228.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5167399939438888994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A cartada final&lt;br /&gt;Poucos segundos&lt;br /&gt;O fim da linha&lt;br /&gt;A gota d’água&lt;br /&gt;O dedo que se prepara para puxar o gatilho................... &lt;br /&gt;A imprecisão &lt;br /&gt;A agulha fina &lt;br /&gt;A dor &lt;br /&gt;O medo do mesmo&lt;br /&gt;O suicídio diário&lt;br /&gt;O medo de alguma dor&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-5444279262426925512?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/5444279262426925512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=5444279262426925512' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/5444279262426925512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/5444279262426925512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2008/02/poema-cano.html' title='Poema-canção'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/R7ZK3eqhSCI/AAAAAAAAABo/S2vYPbp84vw/s72-c/000_1228.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-6162203572534575627</id><published>2008-02-11T12:13:00.000-08:00</published><updated>2008-02-11T12:17:17.618-08:00</updated><title type='text'>Sábado de Carnaval</title><content type='html'>A mesa está posta. O café está pronto. As mãos vazias. Os copos cheios. As bocas lotadas. De sorrisos gastos. De mordidas bem dadas. E era tanto. E era aos poucos. E era final de um dia novamente. E era o jogo. Os naipes de sempre em cores diferentes. Confetes cujas nuances lembravam as usadas na infância. E era o carnaval. E o que era eu? Por debaixo da máscara e dos véus. Por trás de tanto fel, os dias de carnaval, longos, frescos, embriagados, o que eram? E eram verdes. E eram dois. Os olhos que se colocaram no meio de meu caminho de tantos como eu. E olhavam fundo, lá dentro, como que numa viagem de leitura rápida daquilo que eu sou. E tudo se encaixava. Tal qual cena de cinema, aquele close perfeito do cantinho da boca. E eu era um e depois, dois. E eu era dois e era tudo frívolo, seco, rápido como uma jogada bem pensada. E eu era um.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-6162203572534575627?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/6162203572534575627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=6162203572534575627' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/6162203572534575627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/6162203572534575627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2008/02/sbado-de-carnaval.html' title='Sábado de Carnaval'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-853067234606334500</id><published>2008-02-10T20:23:00.000-08:00</published><updated>2008-02-10T20:29:13.107-08:00</updated><title type='text'>D'água escoam lembranças</title><content type='html'>Chove há dez dias. Não sei por que, mas lembrei de quando era apenas uma criança estranha. Aos nove ou dez anos de idade, estudava em uma escola. Normalmente, crianças dessa idade estudam. Não, eu poderia não estudar ainda aos nove ou dez anos de idade. O caso é que aos nove ou dez anos de idade, quando estudava em uma escola, experenciei algo que não deveria ter experenciado. Não aos nove ou dez anos de idade. Nem tanto pela idade, ou pelo acontecido, mas por ter começado a perceber que era espectador.&lt;br /&gt;Na tal escola, havia centenas de crianças aos nove ou dez anos de idade, com todas as questões de crianças dessa faixa de idade. Eu, desde então, aprendi a me sentir à margem. Crianças à margem sentam-se sozinhas na hora do recreio. Com suas tímidas lancheiras, saboreiam o que lhes foi preparado pela tímida mãe que, em casa, aguarda o retorno de sua criança estranha que, para ela, não tem nada de estranho.&lt;br /&gt;Um dia, estava frio, consigo lembrar. Sempre estranhei o inverno. Sentada em um de meus preferidos lugares, abri minha lancheira azul, a fim de saborear meu lanche de criança. Meus amigos aguardavam ser o próximo da fila da cantina, e assim, exibirem uns aos outros, os seus lanches de adulto. Eu permanecia criança, levando lanche de casa, preparado pela tímida mãe, que nessa época, aos nove ou dez anos de idade, me ensinara a atravessar a rua, e alguns dias depois, a voltar sozinha para casa, segurando minha irmã pela braço, olhando para um lado e para o outro. Aos nove ou dez anos de idade. Aprendi a me virar tão cedo... Lembro da cena de quando rompi, de certa forma, uma das barreiras. Nessa época, eu nem sabia o que isso significava. Mas o que importa?&lt;br /&gt;No pátio, a obscuridade das crianças tímidas se realiza de forma mais intensa: todas sentadas com suas lancheiras abertas a saborear os lanches com mãos tímidas de crianças de nove ou dez anos de idade. De crianças. &lt;br /&gt;Demoro. A cena que dentro de minutos completarei não é tela fácil de ser pintada. O banco. Desde a minha infância, sabia que teria um banco em qualquer lugar que eu fosse para que, sentada, pudesse ler, pensar, sorrir dos outros que passam, e ainda, esperar por algo que demoraria a vir. Eu. No banco a meia-luz, a criança de longos cabelos loiros, saboreia o lanche preparado pela mãe, que não carrega cabelos loiros. Sozinha. Caminham pra lá e para cá as crianças que foram o próximo daquela fila. Quase nunca a criança dos longos cabelos loiros esteve nesse lugar. &lt;br /&gt;Estranha. A criança dos cabelos loiros ouvia os “ouis” e “iás” das amiguinhas que já aos nove ou dez anos de idade aventuravam-se em línguas estranhas. Na fila, de volta da hora do recreio, ouvia os exageros das pequenas madames de menos de 1,50m. Reclamavam dos cabelos, das roupas e da troca de carro do pai. Não iriam viajar naquela semana. Que triste...&lt;br /&gt;Estranho. Na sala de aula, sentada na primeira fileira, a menina de nove ou dez anos, e cabelos loiros e longos, que fui. A menina quer sair dali, ir para outro lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-853067234606334500?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/853067234606334500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=853067234606334500' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/853067234606334500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/853067234606334500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2008/02/dgua-escoam-lembranas.html' title='D&apos;água escoam lembranças'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-6747632347704617825</id><published>2008-02-02T11:41:00.000-08:00</published><updated>2008-02-02T11:43:45.113-08:00</updated><title type='text'>Sobre o acúmulo das coisas</title><content type='html'>Rose precisa de alguém que a ajude a amarrar os cadarços dos tênis coloridos. Alguém que a ajude na difícil arte de encontrar os buracos dos braços ao vestir um casaco. Rose quer alguém que a ensine a desamassar os cigarros e a acendê-los também. Rose quer parar de fumar, mas já acorda procurando o maço ou o que resta da noite anterior. E busca, tateando levemente o criado mudo, surdo e cego, os óculos cuja armação torta pede aposentadoria por tempo de serviço. Rose quer trocar de casa, de pele, de vida. Quer mudar de apartamento, de cidade, de planeta. Rose quer um estímulo. Rose bebe demais. Vodca com qualquer coisa para sorrir demais, para parecer. Feliz. Rose acorda, procura os óculos, um chocolate nem sempre quente, uma abraço inevitável, “bom dia”, “até mais”. E sempre isso. E somente isso e nada mais. Rose se cansa. Dos cheiros, sabores, manias, frivolidades. Enlouquece de repetição. E volta para casa, operadora de telemarketing, gerundismos mecanizados, “estarei enviando”, “senhor”, “senhora”. O retorno para o conjugado no centro de uma cidade qualquer. Unhas vermelhas, cabelos cuidadosamente arrumados, salto alto, alguma dieta. Rose é uma mulher qualquer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-6747632347704617825?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/6747632347704617825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=6747632347704617825' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/6747632347704617825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/6747632347704617825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2008/02/sobre-o-acmulo-das-coisas.html' title='Sobre o acúmulo das coisas'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-8388372495296224152</id><published>2008-01-03T17:02:00.001-08:00</published><updated>2008-01-14T05:25:25.238-08:00</updated><title type='text'>Reveillon</title><content type='html'>Eu queria encontrar palavras que descrevessem. Todas as cores, gestos, cheiros. Todos os sabores bêbados. Todas as imagens trêmulas. 31/12. Passa da meia-noite. Todos se abraçam com a chegada do novo recomeço. Precisamos de sorte. De morte. De ver. Ver que correr pela rua longa para ver aquilo que nunca se viu é amor. Que inocentemente, num gesto de quem se sente feliz, ao puxá-lo pelas mãos, é o amor quem comanda. É a confiança advinda dele, do amor que bate na aorta, que nos leva a perder o medo. É o beijo que não se sente, mas se recebe de madrugada. O carinho delicado de quem não quer acordar. Amor é ter confiança. Em si. É saber que aquele pouco é nada. Porque o amor... Explicações. Sei que essa cena jamais será esquecida. De mãos dadas, corremos lado a lado, na mesma velocidade, porque ali havia. Amor,?!...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-8388372495296224152?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/8388372495296224152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=8388372495296224152' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/8388372495296224152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/8388372495296224152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2008/01/reveillon.html' title='Reveillon'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-2943849200237423187</id><published>2007-11-16T16:58:00.000-08:00</published><updated>2007-11-16T18:23:21.995-08:00</updated><title type='text'>Idéias que vão e vêm pelo ralo</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/Rz499B62ygI/AAAAAAAAAAs/G05MhjbCD6A/s1600-h/ATgAAACxZdzfGk7QNP1aDb8yFj2r4WNxkOleublA7_wA8qZHeuJiQq2L7g5h9jHkeIBOCsaFE-s47kynpjg1d09y1msVAJtU9VABSm_QsleYY0Sw5GsXqIHr0qE1Ww%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/Rz499B62ygI/AAAAAAAAAAs/G05MhjbCD6A/s320/ATgAAACxZdzfGk7QNP1aDb8yFj2r4WNxkOleublA7_wA8qZHeuJiQq2L7g5h9jHkeIBOCsaFE-s47kynpjg1d09y1msVAJtU9VABSm_QsleYY0Sw5GsXqIHr0qE1Ww%5B1%5D.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5133608743945554434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-2943849200237423187?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/2943849200237423187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=2943849200237423187' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/2943849200237423187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/2943849200237423187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2007/11/idias-que-vo-e-vem.html' title='Idéias que vão e vêm pelo ralo'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/Rz499B62ygI/AAAAAAAAAAs/G05MhjbCD6A/s72-c/ATgAAACxZdzfGk7QNP1aDb8yFj2r4WNxkOleublA7_wA8qZHeuJiQq2L7g5h9jHkeIBOCsaFE-s47kynpjg1d09y1msVAJtU9VABSm_QsleYY0Sw5GsXqIHr0qE1Ww%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-5133919585894229831</id><published>2007-10-04T18:25:00.000-07:00</published><updated>2008-01-14T05:34:28.768-08:00</updated><title type='text'>Música para as Pontas dos Dedos</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/Rz4-yx62yhI/AAAAAAAAAA0/YDYhu5rrpzA/s1600-h/ATgAAAAAIcKkXdePJmMljJYovdQEHtfvQp0SehV-KhT3RAQENa0oWYdTftqi1GbeL2oYSkLPfV6k5jZxx3bTMZRH-ZKeAJtU9VDvDKkWxEmbaDsk7BUHiwYPt9G47A%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp1.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/Rz4-yx62yhI/AAAAAAAAAA0/YDYhu5rrpzA/s320/ATgAAAAAIcKkXdePJmMljJYovdQEHtfvQp0SehV-KhT3RAQENa0oWYdTftqi1GbeL2oYSkLPfV6k5jZxx3bTMZRH-ZKeAJtU9VDvDKkWxEmbaDsk7BUHiwYPt9G47A%5B1%5D.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5133609667363523090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melodia era suave.&lt;br /&gt;A respiração, ofegante.&lt;br /&gt;Seus dedos magros percorriam toda a extensão de meu braço direito. Leves arrepios duradouros se dissipavam de quando em quando. A insegurança de poucos encontros em olhares secos, fortes, certeiros.&lt;br /&gt;A melodia era suave quão suave seria acariciar com as pontas dos dedos as nuvens de algum céu.&lt;br /&gt;A melodia interminável.&lt;br /&gt;O abafar no peito, alguma angústia nova. As mãos suavam frias, ansiosas, levemente apaixonadas. Na verdade, embriagadas.&lt;br /&gt;O quarteto embalava um apanhado de sensações inesperadas. Dedilhava cordas com paixão, desejo, empáfia e uma excessiva sensibilidade imprescindível.&lt;br /&gt;Naquele teatro, alguns cochilavam, outros acordavam. Eu saía um pouco de mim, mas retornava ao disparar das batidas, que ainda eram somente minhas, e ao desenrolar das peças, que iam e vinham como ondas que chegam altas e se desmancham em lembranças.&lt;br /&gt;Eu não conseguia disfarçar que respirava de maneira seguramente apressada, assustada, tal como criança que fora pega no ato tomado como incorreto pela mãe.&lt;br /&gt;E te olhar era tal como respirar: necessário, indispensável, delicioso.&lt;br /&gt;A melodia agressiva.&lt;br /&gt;O músico se confundia com seu instrumento. E era violentamente bela a forma como ele o segurava: ao mesmo tempo delicado, como se toca algo ao qual se quer muito bem; e agressivo, como se encara algo que há muito se deseja a ponto de já não saber os seus limites e os do outro.&lt;br /&gt;E era como se sentir enlevado por uma melodia estranha, nova, cuja cadência, procedência, cheiro e cor não faziam a menor diferença. E era belo e tão distante dos sentimentos mesquinhos ultimamente experimentados aquele que ali se revelava. E era o silêncio há muito desejado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-5133919585894229831?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/5133919585894229831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=5133919585894229831' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/5133919585894229831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/5133919585894229831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2007/10/msica-para-as-pontas-dos-dedos.html' title='Música para as Pontas dos Dedos'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/Rz4-yx62yhI/AAAAAAAAAA0/YDYhu5rrpzA/s72-c/ATgAAAAAIcKkXdePJmMljJYovdQEHtfvQp0SehV-KhT3RAQENa0oWYdTftqi1GbeL2oYSkLPfV6k5jZxx3bTMZRH-ZKeAJtU9VDvDKkWxEmbaDsk7BUHiwYPt9G47A%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-4521791354686952843</id><published>2007-09-17T17:36:00.000-07:00</published><updated>2007-11-16T17:36:08.323-08:00</updated><title type='text'>Ao tragar de um novo cigarro</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/Rz5FaR62yiI/AAAAAAAAAA8/4xGmE35UeRU/s1600-h/000_1129.psd.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/Rz5FaR62yiI/AAAAAAAAAA8/4xGmE35UeRU/s320/000_1129.psd.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5133616943038122530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao som de “brazilian sun” nós nos olhamos por alguns minutos. O tempo parado com todos os seus sons. Amanhecia. A maquiagem dela estava borrada nos cantos dos olhos. Já não havia a artificialidade dos tons. Nem a música alta, nem a intransigência de muitos, nem o efeito do álcool.&lt;br /&gt;Pouca luz. Do computador e das frestas que todo quarto possui.&lt;br /&gt;Olhares. Sorriso de gente que não sabe o que fazer.&lt;br /&gt;Pele. Palidez. Nó na garganta do engolir a seco a cada quantidade pequena de instante.&lt;br /&gt;Lábios molhados. Mãos suadas. Nervosismo.&lt;br /&gt;Um ar de consentimento toma conta do quarto mal-iluminado. Desabotôo a camiseta dela cujo cheiro de coisa nova e o perfume fortemente doce tomam conta de tudo. Meticulosidade botão a botão. Um respirar ofegante. Um aroma gostoso toma conta de nós dois. Encontro de peles. Tez contra tez. Barriga, peito, seios, pernas. Pele macia. Alta temperatura. Quase-febre. Olhares. Cada vez mais devoradores um do outro...&lt;br /&gt;Nada de vozes. Nem a grave, nem a aguda. O silêncio cede espaço aos ofegantes ruídos que cada vez mais surgem com menor freqüência. Ruídos de quem, instintivamente, sabe o que fazer...&lt;br /&gt;Dois corpos nus seriam apenas isso? Não há tempo para pensar. Acaricio as costas arrepiadas e macias dessa menina cujo corpo treme a cada passar de mãos, a cada possibilidade de uma nova sensação magicamente dolorosa como algumas das sensações que ainda não foram experimentadas.&lt;br /&gt;Deslizo meus dedos magros pelo seu corpo, como os patins em uma pista de gelo intocada. Ela geme um gemido preso, porque meus pais não podem sequer desconfiar que ali descubro e exploro o corpo de uma menina.&lt;br /&gt;Há horas compartilhamos do mesmo desejo, das mesmas luzes, de olhares igualmente tristes, do sabor do resto de álcool. Por longas horas...&lt;br /&gt;Agora, compartilhamos dos nossos corpos, fluidos, dores, curiosidades.&lt;br /&gt;Horas depois, ela se levanta, recoloca a roupa que minuciosamente eu havia decalcado de seu corpo e se vai. Espero revê-la. Mesmo que só possa admirá-la a dançar e dançar entre luzes artificiais, pessoas intransigentes, ruídos, cigarros sabor cereja, cores, gente artificial, batons, mãos suadas, maquiagem pesada, copos de bebidas destiladas, risos forçados...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-4521791354686952843?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/4521791354686952843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=4521791354686952843' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/4521791354686952843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/4521791354686952843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2007/09/ao-tragar-de-um-novo-cigarro.html' title='Ao tragar de um novo cigarro'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_mJXbQfDzIZU/Rz5FaR62yiI/AAAAAAAAAA8/4xGmE35UeRU/s72-c/000_1129.psd.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-3265161289476486331</id><published>2007-09-17T14:42:00.000-07:00</published><updated>2007-09-17T14:51:27.415-07:00</updated><title type='text'>Diálogo embriagado</title><content type='html'>No começo, beijos. Abraços eternos, olhares etéreos... Mas naquele dia:&lt;br /&gt; “Você não vai me entender. Pois então tente explicar. É difícil pra mim... Conte-me! Tente! Eu não sou aquilo que você pensa. Eu tampouco... Não faço parte disso. Eu não quis dizer isso... Eu não quis participar disso. Eu sei. Sabe? Acho que sei. Tá vendo? Um emaranhado de dúvidas e incertezas. É normal. Você apareceu no momento... Errado? Tantas vezes essa frase... Acontece... Acontece? Por tanto tempo... Seria somente sexo? Talvez... Talvez? Isso é lá resposta que se dê? Mas é “talvez” mesmo! Olha, eu não te entendo... Você não entende a si, como pode querer entender os outros? Você tem razão... Me dá um beijo. Não sei, isso me faria sofrer amanhã. Amanhã? Ah, amanhã você vê o que faz... Vem aqui, me beija com toda aquela ferocidade do primeiro encontro de nossos lábios! Não consigo... O hoje é outro instante, diferente daquele. Eu já mudei aquilo que me constituía, sou outra. Única? Isso nunca! O que é hoje, então, tão diferente daquilo que já foi? Agressiva? Desanimada? Desarmada? Falta-lhe amor? Compaixão? Nada a declarar... Assim prefiro. Eu não consigo ser... Ser? Mas se fala comigo neste instante, já é algo que sabe ser. Não é isso. Estou reticente de mim mesma. Nós não conversamos sobre os rótulos... E eles realmente importam? Mas naquele dia do café... Foi só uma opinião sobre o filme... Não sei, havia algo no seu olhar. Algo? O de sempre. Desejo... Isso representa algum problema? Não, mas a questão que somente ele... Isso não é lá muito agradável! Você desaparece...”&lt;br /&gt;E foi assim que, aos berros, se esvaiu mais uma quase história de amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-3265161289476486331?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/3265161289476486331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=3265161289476486331' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/3265161289476486331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/3265161289476486331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2007/09/dilogo-embriagado.html' title='Diálogo embriagado'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-5121647866174655208</id><published>2007-09-04T15:39:00.000-07:00</published><updated>2007-09-04T16:04:40.158-07:00</updated><title type='text'>Monólogo Sob o Efeito de Morfina ao Som de Regina Spektor</title><content type='html'>Eu não sei onde você está. Acho que nunca soube. Aliás, tal informação nunca esteve sob o meu domínio. É verdade que em minha vida você é personagem recente. Mas nesta noite fria de sábado, a febre extraiu de mim aquilo que me sobrava de racional. Sou um ser passional a partir de agora. Demasiadamente...&lt;br /&gt;Recordo-me da dor que senti no momento em que ouvia o motor rabiscando o meu pulso magro. Lentamente. Sons aspirados supirados. Suportei a dor naquela tarde quente do dezembro passado, porque sentia falta de alguma coisa quando observava esse espaço em branco, frágil. Mas, nesta madrugada longa, solitária, a dor é minha amiga. E inimiga também. E eu não suporto sentir dor...&lt;br /&gt;Você, longe daqui, do outro lado da cidade, fecha os olhos, entoa canções conhecidas, outras desconhecidas – cujas letras você aprende na hora, empunha um copo com alguma bebida alcoólica e emana a todos uma impressão de poder, de total falta de decência, pudor, medo.&lt;br /&gt;Aqui o cenário é totalmente oposto. As olheiras que saltam de meu rosto pálido denotam meu estado (excessivamente gripal) de desamparo, desassossego que culminam com a palavra que não quero pronunciar. Mas ela bate no um ouvido. Eu a afasto num movimento brusco, desesperado. Carência. Por que não está aqui bem perto, com seus suspiros longos, com seu andar desajeitado, com suas frases soltas, no bom e velho estilo citação que invadem uma conversa e confundem os interlocutores que dela tiram algum proveito quando conseguem entender seus motivos para relembrá-las? Às vezes não se pode responder.&lt;br /&gt;Sábado à tarde, febre. À noite, igualmente. Lembrei de uma canção da adolescência, da Legião Urbana, em que o eu lírico se queixava de uma febre terçã, advinda de seu estado depressivo. Uma sessão de DVD’s tenta me enganar. Falta. As pessoas fazem falta. Mas a falta é minha ou delas? Sobre isso não se pode responder...&lt;br /&gt;No meio da noite, no meio de uma crise de choro, fumo um cigarro numa atitude irresponsável. Tosse. Por alguns minutos... Chegando ao ponto de sentir meu rosto esquentar. Estou obcecada por saber por onde você anda. Pego o celular e disco o seu número. Começo a tremer quando percebo que você não me atende mais ao primeiro toque, conforme fazia há dois anos. Certas atitudes mudam, é bem verdade.&lt;br /&gt;Você se atrasa, não me acaricia a batata da perna ao ver televisão, não sorri, desaparece nas noites de sábado. Desaparece. Não há surpresas. Surpreendidas situações. Incompreensão. Eu nunca sei quando vai ficar, quando vai sair. Já sai do banho perfumada, salto alto, cabelos arrumados. Não consigo mais.&lt;br /&gt;Não quero enxergar o óbvio, e isso se torna tão claro. De baforada em baforada. E do sofrimento que delas sou vítima. Tudo chegou ao fim, a um estado que não tem mais. Tudo fugiu do controle. Então, me descontrolo e grito e choro. Um choro de dar nó. Na garganta, na cabeça. Eu não me entendo, não me atendo. Mas você atende ao telefone, que a essa altura devia estar berrando dentro da bolsa. Eu correspondo: berro ao telefone. Você não me entende. Eu não sei o que se passa. Entre lágrimas, soluços, baba, sangue e suor, me descontrolo. Não faço parte. Não mais. As minhas partes se foram de tudo o que há em ti. Já não são mais.&lt;br /&gt;Respiro. Alívio na manhã seguinte. Não há mais mentiras. Disfarces. Pelo menos por enquanto, não mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-5121647866174655208?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/5121647866174655208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=5121647866174655208' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/5121647866174655208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/5121647866174655208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2007/09/monlogo-sob-o-efeito-de-morfina-ao-som.html' title='Monólogo Sob o Efeito de Morfina ao Som de Regina Spektor'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-5808193060769239491</id><published>2007-08-30T15:29:00.000-07:00</published><updated>2007-11-16T18:19:18.967-08:00</updated><title type='text'>Memórias de uma noite inacabada</title><content type='html'>Tantas luzes, pessoas, músicas. Bebidas destiladas, idéias destiladas. Horas antes, sorrisos, muitos. Tudo em demasia, num exagero necessário. Numa cena bela e suja, fétida e perfumada. Numa harmoniosa convivência de opostos.&lt;br /&gt;Na mesa, nas tais horas antes, fotografias. Fotografias para não nos esquecermos de como havia sido o começo de tudo.&lt;br /&gt;Estávamos visivelmente felizes. O que saltava da superfície do grupo de amigos era aquela felicidade boba, que surge como se esvai, aos poucos, por meio do líquido colorido pedido ao garçom que demorava, mas até que vinha.&lt;br /&gt;E eu sabia: ela queria um dia de destruição. Pela voz alta, pelo decote, pela declarada falta de limitações naquela noite. Nada de abraços, afagos e carinhos instantâneos. Amores descartáveis, trocas desnecessárias de telefones, nomes, olhares.&lt;br /&gt;Foi quando subiu a escada, e se deparou com um buquê de rosas vermelhas. E falsas. Colheu uma daquelas como quem sentisse falta de um adorno.&lt;br /&gt;Juntos, como recompensa, nos deparamos com o céu. Não havia estrelas nessa noite. O céu oprimia aqueles que o observavam: de um tom amarronzado, esfumaçado, sombrio.&lt;br /&gt;Mas ela queria um dia de destruição e aquele era o cenário perfeito. Este desejo, incessante, crescia lentamente como o bolor que ataca todo o pacote de pão de forma.&lt;br /&gt;Foi quando olhei pro lado. Você dançava ao som de um bate-estaca qualquer tal como um surdo-mudo que em movimentos espasmódicos se dissipa a si e joga energia no ar sem querer saber do ritmo certo ao qual deveria se entregar. A fumaça que saía do cigarro que repousava em seus dedos magros rebolava no ar. De sua cabeça, que às vezes pendia para um lado, emanava algo que não conseguia identificar. Tudo era tão cênico, fingido. O figurino que te vestia, o cenário, os olhares voltados para chão e até aqueles que ao teu redor pareciam ser apenas atores contratados para ocuparem os espaços em branco. Você não os retinha mais. Seus espaços estavam todos preenchidos e isso se tornava visível. Minuto a minuto. De minuciosa e velada observação.&lt;br /&gt;Mas ela queria um dia de destruição. Descia as escadas com suas ágeis e naturalmente torneadas pernas. Olhava em todas as direções. Mas a imagem de sua cabeça pendendo para a direita, de seu sorriso de prazer solitário, de seu olhar uma doce violência opressora, invadia-me e já tomava conta do que eu pensava ser. Mas era apenas mais uma dose de destruição necessária. Na próxima semana tem mais, e eu espero. Espectador dela. Expectador. Dotado de uma subversiva curiosidade em relação a esses personagens, conclui sabiamente que o melhor a fazer era bater de leve nos bolsos, buscando as chaves de casa, agachar pra pegar o jornal de domingo, beber um café e dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-5808193060769239491?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/5808193060769239491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=5808193060769239491' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/5808193060769239491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/5808193060769239491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2007/08/memrias-de-uma-noite-inacabada.html' title='Memórias de uma noite inacabada'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-787827976561151566</id><published>2007-08-30T14:47:00.000-07:00</published><updated>2007-08-30T14:58:52.747-07:00</updated><title type='text'>E tudo (de brincadeira) era uma vez...</title><content type='html'>Era uma noite de sábado e Alice não sabia pra onde ir. Mas sabia que precisava de algum lugar...&lt;br /&gt;Ela colocou o seu melhor vestido e fez o melhor em relação a sua aparência de menina. Alice não gostava quando diminuíam mais ainda a sua idade.&lt;br /&gt;Alice precisava dançar. E isso era uma certeza. Ela precisava afastar os seus fantasmas e dançar os expulsava. E pra bem longe...&lt;br /&gt;Alice caminhou numa direção. Mas no meio do caminho, percebeu que não era pra ser assim e retornou de onde havia partido. Pensou por alguns minutos, sentada num banco de um ponto de ônibus. Levou exatos 15 minutos para escolher que iria pra não sei onde. Pegou o primeiro ônibus que apareceu e foi com cara de quem não quer nada. Alice não queria.&lt;br /&gt;Retocou o batom cor de rosa e chamou a atenção dos passageiros. Ah, os passageiros...&lt;br /&gt;Percebeu, minutos, tantas curvas depois, que passava por uma rua conhecida, pela casa de uma pessoa mais ou menos conhecida e sorriu, pensando que ela poderia não sabia o quê.&lt;br /&gt;Mas Alice se mantinha calma. E sedenta. Bebeu um gole de sua garrafa de não-água e se viu no reflexo do vidro da janela daquele coletivo, cujo destino Alice desconhecia.&lt;br /&gt;Era uma vez um viés. E tantos e outros mais. Uma cor, e outra e muitas. Era uma vez o silêncio. Era uma vez a vontade de ficar emudecida, sozinha, tranqüila, em paz. &lt;br /&gt;Era uma vez um caminho. E tantos e outros. Pássaros cantando ao amanhecer de um domingo qualquer. E pessoas dormindo pelo chão, em bandos, aos tantos, na volta pra casa de Alice. E o frio que cortava a nuca e as orelhas. Era Alice do País das Maravilhas. Mas que Maravilhas? era Uma vez um breve sonho com personagens tão... Era uma vez um sonho. Alice no ônibus. Volta pra casa. Solidão, fome e frio. “Alice? Eu? Não, foi engano...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-787827976561151566?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/787827976561151566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=787827976561151566' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/787827976561151566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/787827976561151566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2007/08/e-tudo-de-brincadeira-era-uma-vez.html' title='E tudo (de brincadeira) era uma vez...'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-508003028126187946</id><published>2007-08-10T16:24:00.000-07:00</published><updated>2007-08-30T14:47:01.748-07:00</updated><title type='text'>Prato do Dia</title><content type='html'>Para todos os visitantes curiosos e curiosos visitantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha nos lábios um batom com sabor de amora, duma tonalidade que combinava com o esmalte das unhas dos pés, cujos dedos redondos instigavam ao longe. Ela sorria um sorriso malicioso de quem sabe o que está por vir. Típico daqueles que sabem as cenas dos próximos capítulos. Era daquelas, daquelas que transpiram sexualidade.&lt;br /&gt;Uma espécie de excitação crescente despertava os seus sentidos.&lt;br /&gt;O coletivo que se afastava do subúrbio estava relativamente vazio. O suficiente para que ela, a santinha nos tempos do colégio de freiras, se permitisse a si algumas divagações eróticas. Ela morde os lábios. O vizinho do assento ao lado havia despertado com o celular, que berrava desesperadamente uma estridente canção.&lt;br /&gt;Ela sorriu por causa do susto de seu vizinho de assento. Ao vê-lo assim, sobressaltado, recordou-se do sentimento que a tomava freqüentemente ao achar que num comentário de sua mãe estaria uma demonstração de que seu segredo havia sido descoberto.&lt;br /&gt;Sua mãe comentava sobre as meninas do bairro, que se comportavam como vadias e isso a atormentava. Sua família acreditava na farsa criada de que trabalhava como recepcionista de um salão de cabeleireiros, em Copacabana. As unhas impecáveis e os cabelos sempre escovados corroboravam a mentira.&lt;br /&gt;Continuava, sorria. Sabia o que estava por vir. Pensou, consigo mesma, sempre com o deboche nos lábios “Hoje é o dia do advogado-rico-bem-sucedido-filhinho-de-papai. Esse não come ninguém. Só quando paga. Mas até que ele...” O freio. Alguns gritos, palavrões. Na frente de seu ônibus, na mesma Avenida Brasil dos motéis baratos, onde a gorda com perfume Avon transara com o executivo jovem nem tão bem-sucedido, um acidente, uma cena corriqueira atravessava o caminho da jovem moradora do subúrbio carioca.&lt;br /&gt;Um cochilo. Sonhos com cenas curtas, sobre as quais ela gostava de ficar pensando depois. Seu lado menina dizia “Vai, dorme um pouco mais. Pra poder sonhar...”.&lt;br /&gt;Ela se sentia meio animal. Seu corpo era território do prazer alheio. Um prazer pago em algumas notas. Poucas, mas boas notas.&lt;br /&gt;O que ela ensinava era de todos, todos sabiam fazer. As dificuldades levavam certas pessoas a procurarem por seus serviços. Ela vendia idéias. Das claras as obscuras, barrocas por assim dizer. Fingia ser algo que definitivamente não era. Ela não era somente uma. Ela era múltipla. A intelectual no ambiente acadêmico, pedante, mesquinho; a bondosa jovem no seio familiar, que se dedica à mãe como a si mesma; a puta, na cama, com estranhos quase sempre; a paciente no ponto de ônibus esperando a última viagem. E tantas outras que já havia encontrado em si e muitas que ainda encontraria. Efêmera, eterna e progressivamente...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-508003028126187946?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/508003028126187946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=508003028126187946' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/508003028126187946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/508003028126187946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2007/08/prato-do-dia.html' title='Prato do Dia'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-8652836419185236417</id><published>2007-07-29T19:15:00.000-07:00</published><updated>2007-07-29T20:21:06.485-07:00</updated><title type='text'>Pela Chuva Fina no Centro do Rio de Janeiro às Seis da Noite</title><content type='html'>Para Felipe Freire, com amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns medos imbecis. Medo de escuro, de bicho-papão, do velho do saco. Fantasmas da infância tão conhecidos. Medo de ficar sozinho, de não amar, de não satisfazer. Medos maduros por assim dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defronte para um computador moderníssimo, 44 anos, funcionária pública, linhas de expressão bem definidas, poupança gorda e bunda ainda mais (ambas alimentadas ao longo de tantos anos), reflito sobre minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivo nesta casa há menos de cinco anos. Moro sob um teto de sonhos construídos tijolo por tijolo. Fio por fio. De cabelos brancos. Em minha companhia, alguns gatos, peixes que jazem no belíssimo aquário da sala principal, livros organizados por ordem alfabética na estante do escritório, poeira escondida, bens materiais de altíssimo valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, como se pode deduzir, não há barulho de música, crianças correndo, panelas, sorrisos, movimentação, zumbido da televisão que permanece durante horas num canal infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, não há a espera das crianças que saem antes das sete da manhã e retornam da escola famintas e ansiosas pelo bife com batatas fritas, e saciadas pelas coisas aprendidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui não há aquele que me faria companhia numa madrugada fria de inverno debaixo de uma colcha de lã para sob a mesma provocar gemidos abafados que despertariam a curiosidade dos vizinhos, que ao menor sinal de prazer alheio, apuram o sentido da audição a fim de identificar o menor ruído e se autocomiserarem sobre seus fracassos sexuais e sentimentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adquiri, ao longo dos anos, hábitos. Tenho alguns amigos com os quais encho a cara eventualmente, sorrio sorrisos descartáveis, alimento emoções facilmente esquecidas após o dia seguinte, quando a ressaca permite. Faço alguns cursos nos quais me matriculo com o objetivo de aprender, qualquer coisa, mesmo que a julgue inútil e conhecer pessoas tão solitárias e socialmente consideradas esquisitas quanto eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reflito e penso que vivo uma mistura de tristeza e felicidade. Olho ao meu redor, e percebo como tudo neste ambiente é tão perfeitamente organizado. Concluo que estou só quando em minha viagem anual para a Europa, de lá, não tenho para quem ligar, a fim de contar sobre aquilo que vi; quando no cinema, ao lado, vejo somente estranhos, com os quais não me atrevo a comentar a beleza dessa ou daquela cena; quando no teatro, arrepios, lágrimas e sorrisos são reprimidos; quando, ao meu redor, ao sofrer de dor, febre, solidão, percebo o que me tornei, alguém de quem não me orgulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de acordar, mas é assim que me sinto diariamente. E me despeço. Embarco numa longa viagem, pra Paris, onde, num belo parque público, dezenas de iguais se entreolham e pensam no quanto estão sós...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-8652836419185236417?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/8652836419185236417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=8652836419185236417' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/8652836419185236417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/8652836419185236417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2007/07/pela-chuva-fina-no-centro-do-rio-de.html' title='Pela Chuva Fina no Centro do Rio de Janeiro às Seis da Noite'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-9136329666772397797</id><published>2007-06-21T16:29:00.000-07:00</published><updated>2007-06-21T16:32:17.005-07:00</updated><title type='text'>Esfaimado</title><content type='html'>Escurece e os olhos de Melissa brilham. Ainda mais. Horas e horas. Os ponteiros dos segundos do relógio de parede antigo já perfizeram o mesmo caminho milhares de vezes. Melissa levanta. O sutiã jaz num canto escuro e poeirento do quarto de Rodrigo. Os diálogos travados por Melissa e Rodrigo ficariam para sempre ali em segredo.  “A noite vem vindo, tenho de ir...” O silêncio de Rodrigo que nada queria dizer, pois ele mesmo pensava que depois da ida de Melissa nada seria como antes, nada, nem mesmo o cigarro acendido na escuridão, nem mesmo o copo de vodka com refrigerante, nem mesmo o gelo que se desfaz dentro dele, lenta e progressivamente. Nem mesmo a fome que sentia. Nada seria como antes. O passado e a lembrança dele mostram como nada se repete. Nem mesmo um beijo. Nem mesmo um olhar. Nem mesmo os gemidos de Melissa. Silenciosos. Doloridos. Nada retornaria a ser. “A gente se vê”. “É, a gente se vê.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-9136329666772397797?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/9136329666772397797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=9136329666772397797' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/9136329666772397797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/9136329666772397797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2007/06/esfomeadofme.html' title='Esfaimado'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-4253320635835979012</id><published>2007-06-11T22:09:00.000-07:00</published><updated>2007-06-11T22:10:38.935-07:00</updated><title type='text'>ENCOBERTOS</title><content type='html'>Melissa falava rápido. E revirava os olhos. Pretendia parecer algo que não era. Na verdade, ele também parecia algo que não era. Interrompiam suas frases desesperadas com alguns beijos desnecessários. Rodrigo não compreendia muito bem algumas de suas idéias de menina que se pretende alternativa, moderna demais. Melissa falava rápido. Rápido porque o tempo passava e ela tinha muito a contar.&lt;br /&gt;Os dois compartilhavam segredos. Alguns, sórdidos. Outros nem tanto. Coisas que se sente aos 20, 30 ou 40 anos. Basta estar vivo. “Busco algum equilíbrio.” “Mas equilíbrio é morte, Rodrigo.” Rodrigo falava muito. E acendia um cigarro no outro. As xícaras se enchiam assim como o peito de Melissa ao suspirar, de tanto ouvi-lo. Ao pendurar a cabeça na cama de casal tão confortável, Melissa avistou seus sapatos, vermelhos e sujos, fruto da noite passada. Ela disse que precisava ir embora. Rodrigo a embalou numa cantada barata. Melissa ficou um pouco mais.&lt;br /&gt;Palavras, palavras e mais palavras. Eles se entregaram um ao outro, verbal e corporeamente. Era algo insano e natural. Aquele quadrado branco fora sua testemunha. Os gemidos abafados de Melissa causavam certa estranheza em Rodrigo. Ele se esquecera do denso sangue, do esmalte vermelho, do mesmo rosto pálido, branco de tantas outras, e do discurso batido. Ao sexo fora concedido o silêncio. Por alguns instantes... Melissa havia gozado nos dedos de Rodrigo. Ele sentiu que tremia. De frio e de fome. A sede por palavras a levou a perfurar o silêncio. Muitos segredos seriam contados. Rodrigo, mesmo que impaciente, ouvia e tentava não transparecer a falta de saco que a idade lhe presenteou, naturalmente...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-4253320635835979012?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/4253320635835979012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=4253320635835979012' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/4253320635835979012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/4253320635835979012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2007/06/encobertos.html' title='ENCOBERTOS'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-1590915522015059757</id><published>2007-05-31T17:54:00.000-07:00</published><updated>2007-05-31T17:57:15.745-07:00</updated><title type='text'>DEVENTRE</title><content type='html'>A ponta de um cigarro ilumina a completa escuridão. A luz de uma lua artificial entra pela janela. Um pigarro atrapalha por alguns milésimos de segundos a voz que quer falar. A dele fala, mas não cala a de Melissa. “Estava por aí!” – soltando um leve, porém, doce aroma. Os olhos assustados de Rodrigo parecem não acreditar na idade da menina. Logo depois, ele compreende o cheiro de rosas frescas.Uma leve cochilada. As buzinas e os freios dos frios automóveis despertam-no. Ele a examina com seu olhar bêbado-experiente. A menina adormecida ainda carrega um aroma fruto da estranha mistura rosas frescas, sangue, vodka, bala de melancia e algum suor. Ele levanta com a habilidade dos gatos, prepara um café e a convida. Ela sorri e diz que sim. Mal sabia ele o tanto que ela tinha a dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-1590915522015059757?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/1590915522015059757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=1590915522015059757' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/1590915522015059757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/1590915522015059757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2007/05/deventre.html' title='DEVENTRE'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-4008087539431257794</id><published>2007-05-31T17:35:00.000-07:00</published><updated>2007-05-31T17:54:30.857-07:00</updated><title type='text'>FLUOXETINA</title><content type='html'>A mesma pele tão branca de tantas. As pernas finas. Os braços esguios. O corpo magro. O mesmo olhar pintado de preto, unhas vermelhas, feição delicada. Ele não podia deixar de se apaixonar.&lt;br /&gt;E assim, troca de olhares bêbados, vodka no copo, “mais dois, por favor!”. Um beijo e outro e tantos. Serotonina a mil. Serotonina há mil.&lt;br /&gt;Excitados, encostados no balcão do bar, ele pega delicadamente no queixo da menina, cuja identidade falsa e a maquiagem pesada permitiram a entrada naquele lugar, e com uma única palavra, um olhar de peixe morto, e bêbado, convence-a e a seduz. “Vamos!”&lt;br /&gt;Sorriso tímido, “Você quer beber algo”, ela aceita, embriaguez que alimenta embriaguez. Ele a beija e viola seu corpo indevassável até então. Ela sangra um sangue da cor do esmalte, rubro, denso, dolorido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-4008087539431257794?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/4008087539431257794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=4008087539431257794' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/4008087539431257794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/4008087539431257794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2007/05/fluoxetina.html' title='FLUOXETINA'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-6279845423077743615</id><published>2007-05-29T18:32:00.000-07:00</published><updated>2007-05-31T12:38:00.886-07:00</updated><title type='text'>Inverno</title><content type='html'>Sorriu quando se levantou do sofá. Pôs-se a dançar ao ritmo de uma banda dos anos setenta. Era uma de suas preferidas, e após o terceiro ou quarto drinque, tornava-se o maior fã de rock de todo o mundo.&lt;br /&gt;Retirou o pequeno pacote do bolso e despejou três finas camadas de um pó branco sobre a mesa de centro, de vidro. Não sabia que andava se drogando. Não o questionei ou tampouco o reprimi. Naquela tarde, sabia que iria morrer um pouco, e experimentar mais um artifício em prol da instantânea alegria, não faria mal.&lt;br /&gt;Sorriu, tomou seu canudinho improvisado e aspirou metade da primeira fileira com a narina esquerda. Pude ouvir o barulho seguido de um suspiro de satisfação. A outra metade, com a narina direita. Sorriu, novamente, e com um movimento de cabeça, mostrou que era a minha vez. Tentei copiá-lo. Inclinei-me diante da mesa, segurei o canudo. Levantei e sorri. Não retribuiu com outro. No entanto, percebi, novamente, o consentimento em sua expressão. Então, segura do que estaria a fazer dentro de poucos segundos, voltei à posição inicial e sorvi a primeira de tantas fileiras de cocaína de minha vida. Levantei os olhos, e não havia ninguém ali. Eufórica, com o coração disparado, fui para a segunda. Tudo ficou mais sensível. Ergui-me com um sorriso reticente. Dançando o rock dos anos setenta. Preenchida por uma felicidade esfuziante. O momento parecia eterno. O coração disparado.&lt;br /&gt;Acordei às três da madrugada. “Que sonho estranho!”. Bocejava. O vento assobiava uma nova canção. Sabia que iria chover dentro de poucos minutos. Sempre tive medo de chuva. Os relâmpagos nunca me trouxeram boas recordações. Lembram minha infância de menina que se divertia sozinha em casa. Olhar pela janela por horas. Lembram daquela fase em que comecei a perceber que estava só. Sempre que chove, a mesma cena. Dez anos, do céu tombam gotas finas de uma chuva sofrida de inverno. Daquelas que duram horas, como lágrimas de sentimentos sofridos, incubados por muito tempo, reprimidos.&lt;br /&gt;Embaço o vidro da janela com minha tranqüila respiração. Posso ouvi-la e nada mais. O relógio avança para além das três da madrugada. Fico ali. Em apenas mais um pensar em nada das frias madrugadas de julho. Eu e algum vento...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-6279845423077743615?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/6279845423077743615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=6279845423077743615' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/6279845423077743615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/6279845423077743615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2007/05/sorriu-quando-se-levantou-do-sof.html' title='Inverno'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3237403232904225664.post-2280812498227268304</id><published>2007-02-04T04:01:00.000-08:00</published><updated>2007-05-31T12:36:24.267-07:00</updated><title type='text'>Olhos de medo</title><content type='html'>São exatamente duas da madrugada. Cochilo dentro de um ônibus que segue para o subúrbio carioca. Há quase dois minutos pronunciava lenta e confiante “Tenho o corpo fechado”. Há quase duas horas terminava a sessão de cinema. Lá pude ver sangue, pipoca, compartilhamento de uma mesma ansiedade, brancos, negros, casais ou simples solitários de meia-idade. Jovens e adultos que buscavam assistir ao filme em moda. Dividimos o mesmo teto de um antigo cinema no centro da cidade por quase duas horas.&lt;br /&gt;Vinte minutos antes da sessão, enquanto esperava apenas mais um daqueles que permaneceria ao meu lado, sorrindo, suspirando, e se divertindo com sangue durante a exibição do filme, conversava com uma criança. Sim, um daqueles pequenos anjos que estão em todos os lugares, com seus olhares especiais, enigmáticos. Carregam caixas pequenas, reforçadas com fitas adesivas. Dentro delas, drops e chicletes. Autodenominam-se seus sobrinhos no momento da abordagem.&lt;br /&gt;Aquela disse que morava longe dali e que iria embora cedo. Cedo? Eram oito horas da noite, e questionei o que seria o seu cedo. Tinha nove ou dez anos, cinco irmãos. Todos com nomes que rimavam tanto como uma canção encomendada. Algumas das frases mais incríveis que ouvi foi “Agora que eu tenho papi, volto pra casa mais cedo. Você sabe o que é papi?”. Falava, enquanto saboreava um churrasquinho. Pensei que pudesse ser a sua primeira refeição do dia. Não quis pensar muito nisso.&lt;br /&gt;Fui interrompida pela chegada de minha companhia. Chegou sorrindo, sorrindo. Sorrimos, os três. A menina pôde participar de nosso sorriso por alguns instantes. Fomos embora e como se ela nunca tivesse visto esse casal, abordou-nos em frente à bilheteria com a já conhecida e certeira frase “Tio, compra um doce pra me ajudar?”. Os tios quase sempre não resistem. Não resistiríamos. Não resistimos.&lt;br /&gt;Dentro do ônibus lotado, não sabia que horas eram. Não podia limitar o verdadeiro. Sonhava e, então, não podia limitar. Sob efeito da cerveja, remédios para alergia, alegria, paixão, cochilava. Sonhava um sonho bom. Não lembro de nada, mas sei que sonhava.&lt;br /&gt;E foi aí que se deu. Explosão! Cheiro de pólvora, correria, jogar-se ao chão. “O que faço? Estou tão longe de casa. Estou tão longe de todos.” Cheiro de pólvora. Pavor. Uma mulher grita, um homem grita. Posso ver seus olhos. Todos gritam, menos eu. Não quis gritar. Talvez tenha me sentido à vontade naquela situação.&lt;br /&gt;Duas horas antes. Cinema, sangue, pipoca, morte, diversão. Agora: medo. O cheiro de sangue me contamina. Vejo que há um homem morto. Um corpo. Uma poça, não de chuva, aquelas que gostava de saltar. Diferente daquelas que gostava de brincar na infância. De lama, água da chuva. De sangue. Alguém com uma arma atirou. Explosão. Olhos que quase saltaram. Meus olhos de medo são diferentes. Sei que não vou morrer. Quase cinqüenta pessoas gritam juntas em uníssono desespero, medo de morrer, e eu: silêncio de espectador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3237403232904225664-2280812498227268304?l=indireta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://indireta.blogspot.com/feeds/2280812498227268304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3237403232904225664&amp;postID=2280812498227268304' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/2280812498227268304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3237403232904225664/posts/default/2280812498227268304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://indireta.blogspot.com/2007/02/aos-pedaos-em-frangalhos-so-exatamente.html' title='Olhos de medo'/><author><name>Vivi de Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11139606315072840768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://3.bp.blogspot.com/_mJXbQfDzIZU/SruJ7BTdXxI/AAAAAAAAAEo/fe7YT3tOxkU/S220/logo.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry></feed>
